Translator

Google-Translate-ChineseGoogle-Translate-Portuguese to FrenchGoogle-Translate-Portuguese to GermanGoogle-Translate-Portuguese to ItalianGoogle-Translate-Portuguese to JapaneseGoogle-Translate-Portuguese to EnglishGoogle-Translate-Portuguese to RussianGoogle-Translate-Portuguese to Spanish

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Sobre a ocupante da poltrona 19C

Osmar J. Santos


      Era um daqueles voos chatos. longos. Com um pouco de turbulência. Melhor, muita turbulência - de forma que em alguns momentos parecíamos mesmo estar numa estrada ruim. Mas não. Não é a turbulência o foco desse mal escrito. A personagem principal dessa história é a ocupante da poltrona 19C. Sei lá, 3 ou 4 anos. Não mais que isso...
    Turbulência é um momento chato, concordo. Mas há coisas piores e talvez (ou melhor sem sombra de dúvidas - e reconheço que só falo isso porque não tenho medo de turbulência) a pior delas seja a aerodilatação auditiva - causa daquela dor de ouvido e da acentuada e momentânea redução da audição a ponto de quase não se ouvir a própria voz.
      Ela chorava e eu, que só não compartilhava do seu choro por já ter passado dos 3 ou 4 anos que ela ainda possuía, era solidário a sua dor. 
     A mim, que não tinha a quem apelar, restava torcer para que a aeronave tão logo tocasse o chão e assim terminasse nosso suplício. A ela, que tinha na poltrona 19B aquela a quem recorremos nos momentos mais difíceis de nossas vidas, coube surpreender a todos aqueles que conseguiram ouvir seu choroso e soluçante apelo:
 "Mãe, eu não quero ficar sem voz..."

domingo, 18 de outubro de 2015

Antes que passe o tempo

Osmar J. Santos

Amas?
Então por que se calas? 
Acaso não sabes como são os ponteiros?
Não sabes que apressam o passo
cada vez que
um silêncio
grita?

domingo, 11 de outubro de 2015

Diálogo

Osmar J. Santos

A: Quando você se perdeu?
B: No momento em que te encontrei.

Baseado na página do facebook "diálogos de bolso".

https://www.facebook.com/dialogosdebolso?fref=ts

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Vênia

Osmar J. Santos

Mesmo eu,
que entendo pouco de quase tudo
e quase nada sobre o restante,
vez ou outra, escrevo bons versos.
Perdoem-me por estes.

domingo, 16 de agosto de 2015

domingo, 26 de julho de 2015

Osmar J. Santos

Desleixado,
ando com os relógios atrasados.
Não me ocupo em ajustar os ponteiros.

domingo, 12 de julho de 2015

Amor ficcional

Osmar J. Santos

Caminhando na rua,
ou andando num corredor.
Sempre em sentidos opostos.
Esbarram-se.
Meio sem jeito e um pouco apressados,
recolhem o que ficou no chão.
Entreolham-se e perdem-se na beleza do outro. 
Ouve-se a música que se repetirá
a cada
próximo
encontro.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

sábado, 16 de maio de 2015

domingo, 3 de maio de 2015

Entrevista

Osmar J. Santos


- Com letra maiúscula afastada da margem - respondi.
Era um dia quente e confesso não ter paciência em dias quentes.
Naquela mesma manhã, já havia: acordado atrasado, percebido que não havia queijo na geladeira e recebido multa de trânsito. Não fico feliz quando recebo multas de trânsito. Tampouco quando o queijo acaba. Quando acordo tarde sim, pois não gosto de acordar cedo...
Não foi das melhores manhãs. Aliás, manhãs nunca serão melhores que tardes e tardes jamais serão melhores que noites...
Poderia ter começado com uma pergunta criativa mas, para minha surpresa, preferiu perguntar:
- Como você inicia seus textos? 
Pois bem. Convido o leitor a voltar à primeira linha (foi aquela a minha resposta). 
"Perguntas sem criatividade merecem respostas irônicas", li uma vez num livro empoeirado em cima da estante.
Apesar de tudo, em nome da continuação da entrevista, fiz uma expressão de riso e falei (ou apenas pensei em falar) algo do tipo "é só pra descontrair" e passei a comentar sobre a criação do texto. 
Apesar da pergunta sem criatividade, do dia quente, da multa de trânsito e do queijo que tinha acabado, estava disposto a continuar. 
Concluí minha fala e esperei pela segunda pergunta. 
Estava certo de que seria melhor que a primeira. Certo de que não seria pior, pelo menos. Mas como toda certeza é tola, toda certeza é burra (e peço, caro leitor, que não me pergunte se tenho certeza disso), fui outra vez surpreendido: 
- E para terminar o texto, como você faz? - perguntou.
Ele conseguiu. Como eu já lhe havia concedido uma segunda chance, fiquei à vontade para furtar-lhe uma possível terceira. Respirei fundo, fechei os olhos e lembrei novamente daquelas palavras que pensando bem, não li num livro empoeirado (sou alérgico à poeira). Ouvi na fila da padaria certa vez (ou foi na recepção de uma clínica? Não lembro...).
De forma mais irritada que impulsiva, respondi:
- Coloco um ponto final e pronto.
Ele ensaiou um sorriso que aos poucos foi desfazendo-se. Devo dizer que dessa vez não houve nada em minha expressão que indicasse que não falava sério.
Sem mais perguntas, a entrevista foi encerrada.

Post scriptum - Eu fiz pipoca mas a entrevista não foi ao ar no dia marcado.


sexta-feira, 24 de abril de 2015

sábado, 11 de abril de 2015

Saudade

Osmar J. Santos

A chuva que cai,
A lágrima que escorre,
Esconde quase sempre um mesmo sentimento:
Uma dor chamada saudade.

sábado, 14 de março de 2015

À Poesia

Osmar J. Santos

Pela prosa, afeição.
Mas é por ela, 
pela poesia é que morro de amores.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Osmar J. Santos

"Muito linda essa música... 100 palavras!"
Desconfiado, contei.
Só havia 97.